"O
desenvolvimento é o novo nome da paz."
Publicado em novembro de 2005
Hélio
Gustavo Alves,
Advogado, membro da
comissão de previdência social e complementar
da OAB/SP e professor universitário.
A
humanidade, através de seus Estados próprios,
sempre procura buscar a Paz. Mas, vale ressaltar que
tais países não sabiam que espécie
de Paz resolveria os problemas de seu mundo, nascendo
os conflitos internos e externos e originando as guerras.
Diante
da incerteza da Paz que buscavam, houve um desequilíbrio
enorme entre povo e governo e entre governos (Estados),
tendo conseqüentemente choque de civilizações
(*1).
Internamente,
existia a busca da Paz de forma hierárquica,
individual, por camadas de classes e raças,
e quando tal país buscava uma Paz externa,
individualizava seus objetivos tentando beneficiar
somente seu Estado, passando por cima de tratados
e acordo internacionais.
A
Paz que sempre foi almejada é uma paz egoísta,
individual; nunca se buscou a Paz mundial e este é
o grande problema.
A
igreja católica, desde os séculos passados,
deixa registrado em suas escritas nas encíclicas
e cartas, que a Paz somente viria com o princípio
da solidariedade (*2).
O
Princípio da solidariedade é de tanta
importância que a maioria da doutrina sustenta
que precisaria ser aplicado em todos os problemas
sociais para se buscar a Paz.
Observa-se
no passar dos anos que não haverá Paz
no sentido literal da palavra se não se buscar
primeiramente o desenvolvimento social.
Quando
citamos o desenvolvimento social, não podemos
pensar somente em desenvolvimento interno, mas temos
que refletir e buscar um desenvolvimento globalizado,
vez que a pobreza dos países reflete diretamente
nos países pobres e indiretamente nos mais
desenvolvidos.
É
cediço da necessidade de buscar primeiramente
o desenvolvimento das políticas internas seja
ela na área da saúde, fome, pobreza,
educação, assistência social,
emprego e etc. Mas não podemos negar que para
combater estes pontos negativos temos que, paralelamente,
buscar o desenvolvimento externo, estando lado a lado
com os países na busca da solução
globalizada, tendo como linha mestra o princípio
da solidariedade.
Não
há como existir Paz num país que tem
um povo passando fome, sem condições
de emprego, escola, com a saúde estatal falida,
um sistema previdenciário e assistencial sem
a devida administração, enfim, tendo
uma população sem respaldo algum para
evolução humana e sendo tratado sem
o princípio da dignidade humana.
Desta
forma, para se buscar a Paz interna e mundial, precisa,
sem dúvida alguma, existir o desenvolvimento
social.
A
base primordial é a educação,
pois há que se preocupar primeiramente com
quem vai administrar o futuro, que são os jovens,
tendo que prepará-los (*3) da forma mais eficaz
possível a fim de ter uma visão ampla
do princípio da igualdade, solidariedade e
liberdade, com foco nas políticas internas
e externas (*4), ou seja, na globalização.
A
fome é uma realidade nacional e internacional,
bem como a falta de emprego, saúde e assistência.
Logo, é um problema de toda a humanidade, tendo
como extrato a criminalidade e que se não resolvido
urgentemente poderá, quem sabe, desencadear
uma terceira guerra mundial, vez que há, inclusive
neste momento, guerras internas e externas tentando
buscar a Paz.
A
Paz não virá com guerra, mas virá
com o desenvolvimento nas políticas públicas
internas e internacionais.
A
Paz somente virá se existir de fato o desenvolvimento
coletivo e não o individual como se tem buscado,
e para este fenômeno ocorrer deve imperar o
princípio da solidariedade.
Como haverá Paz num país pobre que mal
consegue dar ao seu povo o mínimo, que é
a Dignidade da Pessoa Humana? Não havendo este
MÍNIMO, não há Paz! Portanto,
se houver um desenvolvimento interno e externo em
todas as camadas, bem como em todos os setores, principalmente
na educação, naturalmente nascerá
a PAZ.
Desta
forma, podemos afirmar que:
Desenvolvimento é o Novo Nome da Paz !
(*1)Populorum
Progressio - CARTA ENCICLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA
PAULO- VI: Choque das civilizações:
Além disso, o choque entre as civilizações
tradicionais e as novidades da civilização
industrial quebra as estruturas que não se
adaptam às novas condições. O
seu quadro, por vezes rígido, era o apoio indispensável
da vida pessoal e familiar, e os mais velhos fixam-se
nele, enquanto os jovens lhe fogem, como de um obstáculo
inútil, voltando-se avidamente para novas formas
de vida social. O conflito das gerações
agrava-se assim com um trágico dilema: ou guardar
instituições e crenças atávicas,
mas renunciar ao progresso; ou abrir-se às
técnicas e civilizações vindas
de fora, mas rejeitar, com as tradições
do passado, toda a sua riqueza humana. Com efeito,
demasiadas vezes cedem os suportes morais, espirituais
e religiosos do passado, sem deixarem por isso garantida
a inserção no mundo novo.
(*2)
Mensagem De Sua Santidade João Paulo II Para
A Celebração Do Dia Mundial Da Paz -
DESENVOLVIMENTO E SOLIDARIEDADE DUAS CHAVES PARA A
PAZ - ...para reflectir sobre a solidariedade ...
Esta Mensagem para o XX Dia Mundial da Paz está
em estreita relação com a Mensagem que
dirigi ao mundo no ano passado, subordinada ao tema:
Norte-Sul, Leste-Oeste: uma só Paz. Nessa Mensagem
eu tive ocasião de dizer: « A unidade
da família humana tem repercussões realíssimas
para a nossa vida e para o nosso empenho em favor
da paz. ... Isto significa que nós nos comprometemos
por uma nova solidariedade, a solidariedade da família
humana ... por um novo tipo de relações,
a solidariedade social de todos » (n. 4).Reconhecer
a solidariedade social da família humana comporta
a responsabilidade de construir sobre aquilo que nos
une. Isto significa promover eficazmente e sem excepção
alguma a igual dignidade de todos, como seres humanos,
dotados de certos direitos fundamentais e inalienáveis.
Isto afecta todos os aspectos da nossa vida individual,
bem como da nossa vida na família, na comunidade
em que vivemos e na mundo. Uma vez que compreendemos
verdadeiramente que somos irmãos e irmãs
no seio de uma comum humanidade, então podemos
modelar as nossas atitudes diante da vida à
luz da solidariedade que nos torna uma coisa só.
Isto é verdade, de modo especial, quanto a
tudo o que diz respeito ao projecto universal de base:
a paz.
(*3)Populorum
Progressio - CARTA ENCICLICA DE SUA SANTIDADE O PAPA
PAULO- VI - Para uma condição mais humana
item 20. Se a procura do desenvolvimento pede um número
cada vez maior de técnicos, exige também
número cada vez maior de sábios de reflexão
profunda, em busca de um humanismo novo, que permita
ao homem moderno o encontro de si mesmo, assumindo
os valores superiores do amor, da amizade, da oração
e da contemplação. [17] Assim poderá
realizar-se em plenitude o verdadeiro desenvolvimento,
que é, para todos e para cada um, a passagem
de condições menos humanas a condições
mais humanas.
(*4)
Discurso do Governador de São Paulo na da abertura
da XI Unctad Alckmin considera que as reflexões
da Unctad devem abordar duas vertentes relevantes:
interna e externa. “Cabe aos países em
desenvolvimento adotar políticas mais adequadas
para promover o aumento da eficiência e a inserção
competitiva no mercado internacional. Esse é
um componente necessário para o crescimento
sustentável e o ponto de partida”. Fonte
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/notprint.asp?nid=51978